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Domingo, Março 30, 2008 :::
Incursões aromáticas na inexistência
Dia desses, estava voltando (ou indo?) de metrô num daqueles horários matinais estratégicos de multidão na estação Sé. Como os usuários do metrô aqui em sumpaulo podem imaginar: toda aquela gente desesperada (ainda não consigo entender bem o porquê) se amontoando nas portas que se abrirão ao soar o aguardado aviso: “desembarque pelo lado esquerdo do trem”.
Estava na porta oposta, espremidinha no canto para não atrapalhar ninguém e cantarolando uma musiquinha mentalmente para passar o tempo. De repente, senti um aroma de maracujá passar ao lado da meu rosto e alcançar exatamente a direção do meu nariz: era uma mão; segurando no apoio de ferro onde eu estava encostada. Aquele cheiro, misturado a tantos outros comuns em um vagão de trem lotado, me encheu de enjôo e virei para o outro lado na tentativa de fugir do desconforto. Para meu grande azar, meu nariz alcançou com precisão geométrica a abertura de uma axila suada e seu odor indescritível. Céus! Estava eu então entre a cruz e a espada e, neste caso, mal sabia quem era quem naquela luta ingrata entre aromas. Olhei para mim naquela situação caótica e desesperadora, sem poder me mover, sem ter para onde respirar. Fechei os olhos. Os cheiros ficaram mais fortes ainda. Comecei a rir de desespero e angústia. Olhavam para mim achando um tanto estranho ou será que alguma alma sacou o meu dilema odorífero? No meio da gargalhada emendei um pigarro e fingi que tossia; sim é mais normal tossir em metrô do que rir sozinha, afinal. Foi pior: engasguei de verdade e precisei soltar os braços do apoio. A porta se abriu e agradeci a todos os orixás pela existência da estação Sé, meu porto seguro de salvação, que levou embora aquela mistura nefasta de sovaco e maracujá que nunca me fizeram desejar com tamanha verdade e fervor a minha própria inexistência.
ps: Não dá para tomar um banhinho mais caprichado, minha gente?!!
::: posted by MOZANA AMORIM at 3/30/2008 09:50:26 PM