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Segunda-feira, Abril 21, 2008 :::
há duas dentro de mim.
Duas que seguem por caminhos opostos
mas que querem as mesmas coisas
apenas de modo diferente.
Uma quer acabar tudo e fim.
A outra quer diálogo.
Uma reverbera.
A outra emudece.
Uma é só paz e silêncio.
A outra é delírio e não quer ponto.
Eu sou uma e outra ferozes dentro de mim.
Eu queria, por Deus!, às vezes não ser nenhuma.
Ser nada. Ser mar...
Uma quer mergulhos profundos de sereia.
A outra anseia por terra firme.
Quando eu sou uma e outra?
Quando não serei dicotomia?
Se há respostas, que elas venham como os raios breves
Que lancem um foguete sobre o meu olhar e me lancem no espaço
Ando precisando de infinitos.
::: posted by MOZANA AMORIM at 4/21/2008 06:39:30 PM
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Algumas vezes, eu saio tentando traduzir aquilo que sinto.
mas parece que nada me cabe.
E assim, só sinto.
E vou voando entre emoções e pensamentos
tentando decifrar.
Daí, me cai nas mãos um Quintana... perfeito, redondinho!
;)
Poema Transitório
(...) é preciso partir
é preciso chegar
é preciso partir é preciso chegar... Ah, como esta vida é urgente!
... no entanto
eu gostava mesmo era de partir...
e - até hoje - quando acaso embarco
para alguma parte
acomodo-me no meu lugar
fecho os olhos e sonho:
viajar, viajar
mas para parte nenhuma...
viajar indefinidamente...
como uma nave espacial perdida entre as estrelas.
::: posted by MOZANA AMORIM at 4/21/2008 06:28:43 PM
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Domingo, Abril 13, 2008 :::
Quando enxergo
Enxergar arde. Por todo lado saltam línguas de fogo ensandecidas. Cipós que marcam a pele com memórias do tempo. Em tudo ficam cinzas, cicatrizes do que foi incendiado: prazeres, palavras, olhares, gentes.
Enxergar marca. E quem pode dizer que esqueceu o que tatuou na lembrança mente ou não se dá conta. Ou, pior, foge. E a marca afunda e um dia acorda, como a insônia que ensopa de luz o que é penumbra e aconchego e o sono dissipa. O clarão é amedrontador e ameaça ser para sempre, mas até clarão dissipa uma hora. E, é nunca de uma vez por todas. Nada é de uma vez por todas, aliás.
Enxergar cava. Poços fundos, raízes, começos. Nunca é final. Rasga a terra e a poeira se esfola por toda parte, mas ainda há entranhas e o caminho vai, assim, sendo devastado. Pinturas de caminhos as que escavam o medo, a dor, a glória, a desventura e o sonho. Agora existe trilha. Ir e vir. É um tanto de terra úmida que se descobre no fundo agora; molhada de lágrimas, um sal alegre ou triste. Faz chuva. E o que parecia tão árido vai se recompondo em harmonia.
E foi tão devastador e assustador e parecia que nada ia restar depois dos poços cavados.
E foi tão necessário cavar assim de todo jeito, como aparecia, pelos caprichos da sorte e do destino.
E foi tão preciso tal qual um processo cirúrgico que sabe afundar ao ponto exato e extrair o que molesta.
E foi tão grande o alívio de sentir viva depois de tudo isso. E saber nascendo outra vez a esperança que brota dessa terra remexida, ainda um tanto assustada, mas forte, consciente de si mesma e, por isso mesmo, libertada e radiante.
"As pessoas que mais admiro são aquelas que nunca acabam". - Almada Negreiros. Por sinal, autor da imagem acima.
::: posted by MOZANA AMORIM at 4/13/2008 10:59:54 PM